Porque tudo o que fizemos e nos arrependemos depois, a dor toca no peito. A saudade bate como uma lágrima que escorre pelo lado esquerdo, esquerdo do corpo, da alma.
Desperdiçamos aquilo que achávamos que não faria bem.
Às vezes poderiam ter sido só uma fase. Mas, foi um fim, o mais cruel.
Um momento de silêncio tomou conta desse lugar, poucos imaginariam qual seria, em uma cozinha com portas trancadas entregue as bebidas ou talvez na sala ouvindo um rock'n'roll, dando um trago num cigarro imaginário, para relaxar a ideia que ainda não teve um fim, afim de que não quisesse um fim...
Em momentos viraria uma eterna utopia, de uma pobre mente em desmanche. Como se não basta-se, sua face vieste à mente, com cheiro e cor, de pecado e prazer.
Pensamos, logo existimos dentro de um mundo surreal, algo criado pelas mentes mais infames e doentias por felicidade, criamos a verdade da mais pura mentira. Porém o interesse é maior, então qualquer mentira se torna verdade, se ditas várias vezes.
Lá estava, com luzes piscando, psicodélia a flor da pele, preciso inventar, te acariciar em pensamento, fazer como se não tivesse perdido aquela chance inicial, um amor platônico que pelo menos, é recíproco dentro desse mundo (pisca, pisca, olho, reluz, pisca, ergue a a cabeça devagar, para cima) procurando paz.
No momento em que iria lhe tocar, sentir o gozo das suas palavras de amor, inventadas e tão superficiais, algo acontece.
Estava no banho, olhos fechados, a água tocando o corpo, como se fosse suas mãos deslizando sobre ele. Desviando o olhar para o lado vejo a bebida que sustenta esses momentos juntamente com o embaçar da água fervente, era tudo mentira.
Sussurro:
- Droga.
Enrolada na toalha, vou embora, sem ter ganhado nada com toda essa história, minhas saudades só aumentaram.
Micheli Zingaro.
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